domingo, 23 de janeiro de 2011

LIBRAS - direito à comunicação



Embora ainda haja muito espaço para desenvolvimento, temos visto maior interesse e difusão das LIBRAS nos últimos anos. Não tenho grande conhecimento sobre esta língua (sim, língua!), mas dedico esta postagem ao compartilhamento das informações que obtive através de colegas intérpretes.

As Línguas de Sinais (LS) são as línguas naturais das comunidades surdas. Ao contrário do que muitos imaginam, as Línguas de Sinais não são simplesmente mímicas e gestos soltos, utilizados pelos surdos para facilitar a comunicação. São línguas com estruturas gramaticais próprias. Assim, uma pessoa que entra em contato com uma Língua de Sinais irá aprender uma outra língua, como o inglês, espanhol etc. Atribui-se às Línguas de Sinais o status de língua porque elas também são compostas pelos níveis linguísticos fonológico, morfológico, sintático e semântico.

O que é denominado de palavra ou item lexical nas línguas oral-auditivas são denominados sinais na LIBRAS. O que diferencia as Línguas de Sinais das demais línguas é a sua modalidade visual-espacial. Os seus usuários podem discutir filosofia ou política e até mesmo produzir poemas e peças teatrais.

As Línguas de Sinais não são universais. Cada país possui a sua própria língua de sinais, que sofre as influências da cultura nacional. Como qualquer outra língua, ela também possui expressões que diferem de região para região (os regionalismos) e "sotaque", o que a legitima ainda mais como língua.

Os sinais são formados a partir da combinação da forma e do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos. É assim que é formada a estrutura, ou seja, a "gramática" da língua de sinais na qual podem ser encontrados os seguintes parâmetros:
(1) Configuração das mãos: São formas das mãos que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros ou esquerda para os canhotos), ou pelas duas mãos.
(2) Ponto de articulação: é o lugar onde incide a mão predominante configurada, ou seja, local onde é feito o sinal, podendo tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro.
(3) Movimento: Os sinais podem ter um movimento ou não.
(4) Expressão facial e/ou corporal: As expressões faciais / corporais são de fundamental importância para o entendimento real do sinal, sendo que a entonação em Língua de Sinais é feita pela expressão facial. (5) Orientação/Direção: Os sinais têm uma direção com relação aos parâmetros acima. Assim, os verbos IR e VIR se opõem em relação à direcionalidade.

Há algumas convenções a serem seguidas na LIBRAS, tais como:
(1) A grafia: os sinais em LIBRAS, para simplificação, serão representados na Língua Portuguesa em letra maiúscula.
(2) A datilologia (alfabeto manual): usada para expressar nomes de pessoas, lugares e outras palavras que não possuem sinal, estará representada pelas palavras separadas por hífen.
(3) Os verbos: serão apresentados no infinitivo. Todas as concordâncias e conjugações são feitas no espaço.
(4) As frases: obedecerão à estrutura da LIBRAS, e não à do Português. Ex.: VOCÊ GOSTAR CURSO? (Você gosta do curso?).
(5) Os pronomes pessoais: serão representados pelo sistema de apontação. Apontar em LIBRAS é culturalmente e gramaticalmente aceito.

Ao conhecermos uma pessoa, indicamos a ela o nosso sinal (criado por nós mesmos) que passará o nosso "apelido". Agora vem a informação que mais me surpreendeu: uma pessoa cega, surda e - consequentemente - muda consegue se comunicar através da LIBRAS, como mostra o seguinte video:
http://www.youtube.com/watch?v=GtoSyEtJuRo

Aos interessados, postarei em breve locais que oferecem o curso de LIBRAS em São Paulo e tenho alguns materiais disponíveis (mandem um e-mail para reis.carmen@gmail.com). Por hora, fica a minha imensa admiração aos profissionais que dedicam seu trabalho à comunicação de deficientes auditivos e visuais.


Carmen L Reis
(algumas informações foram retiradas do site http://www.libras.org.br/)

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