quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Pit Stop

Olá pessoas,

Por favor, desconsiderem todas as promessas aí debaixo porque o ano já está quase acabando e eu não consegui cumprir nenhumas delas. (haha) Como disse a minha orientadora, profª Dra. Alzira ontem enquanto analisávamos um conto de Alden Nowlan, "all of a sudden things change, and you just can´t control them". Pois é, último ano da faculdade, TCC se aproximando, formatura iminente... Eu imaginava tudo muito diferente, mas estou feliz com o presente inesperado (presente no sentido dia de hoje). O prazo de entrega é dia 05/10 e hoje, 10/09, já estou com pelo menos 80% pronto (cerca de 40 páginas finalizadas). A intenção de fazer um pit stop aqui hoje é contar um pouco como está sendo escrever meu primeiro trabalho acadêmico. Após dar por encerrado um outro possível projeto, fiquei meio perdida em relação ao tema. Sempre gostei de linguística, fato. Mas ultimamente tenho gostado bastante de tradução também, outro fato. Então ficou tudo muito confuso. Eis que no semestre passado tenho aula de Literatura Americana e, pela primeira vez na vida, me apaixono por literatura (haha again). A professor indicou inúmeros livros para leitura complementar e, dentre eles, fez grande "propaganda" de um que seria extremamente page turner: "The Color Purple". No momento, fiquei curiosa, mas jamais imaginaria que seria meu life turner. A primeira página me deixou de boca aberta e eu devorei esse livro em cinco dias, num misto de emoções, engolindo tudo... a ponto de ter um grito preso na garganta e decidir soltá-lo em formato TCC. Já sabia com qual livro trabalharia, mas o tema não estava nem um pouco definido. Eu sabia que teria a inspiração então nem fiquei muito nervosa... e um dia comum, enquanto estava no terrível trânsito da Berrini à Brig. Luís Antônio, minha cabeça começou a brotar idéias e fiquei agoniada, precisava imediatamente dividir aquilo tudo com a minha orientadora! Calma... orientadoraS, porque na curva com a Al. Santos decidi que precisava de uma para literatura e outra para linguística. Enfim, depois de tudo isso decidi que faria uma análise da tradução de "A Cor Púrpura" através dos elementos linguísticos. Lindo, elas gostaram da idéia e eu fiquei bem mais tranquila com o tema definido. O que eu não tinha idéia era que estava esbarrando em 3 vaaaastas áreas de pesquisa: Literatura, Linguística e Estudos de Tradução (além de suas sub-áreas)! Quando comecei a ler a bibliografia que havia definido, fique ultra desesperada novamente. (a ser continuado... tenho q ir p/ facu agora :P)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

AD - Formação Discursiva e Formação Ideológica

Infelizmente, este ano está difícil ter tempo de postar algo. Sendo assim, tomo a liberdade de divulgar alguns textos interessantes que podem manter o gostinho lingüístico neste blog quase abandonado.
O primeiro trata-se de Análise do Discurso e faz uma breve análise da fábula do Millôr Fernandes, ao mesmo tempo em que oferece um embasamento teórico-histórico da AD.
Este texto foi retirado dos anais de filologia e está disponível no endereço http://www.filologia.org.br/vicnlf/anais/caderno03-07.html
Espero que gostem!
Carmen :)

FÁBULA DE MILLÔR FERNANDES - O DESMANTELAMENTO DE UMA IDEOLOGIA
Edviges Marlene Paranaíba Vilela (UNINCOR)

Antes de se esboçar uma análise discursiva, convém apresentar alguns dados relevantes sobre a disciplina chamada Análise do Discurso.
A Análise do Discurso teve sua origem na França, na década do 60, através das figuras de Jean Dubois e Michel Pêcheux. O que há de comum no trabalho desses dois “é que ambos são tomados pelo espaço do marxismo e da política, partilhando convicções sobre a luta de classes, a história e o movimento social”, conforme afirma Fernanda Mussalim (2001). A Análise do Discurso surgiu, portanto, no centro das questões políticas.
Para entendermos melhor essa disciplina, é bom que se fale, mesmo que rapidamente, um pouco sobre o Estruturalismo, que a precedeu.
A autonomia relativa da linguagem é unanimemente reconhecida na conjuntura estruturalista, uma vez que a língua - objeto de estudo das teorias estruturalistas - pode ser estudada a partir de regularidades e pode ser apreendida na sua totalidade, pois as influências externas, geradoras de irregularidades, não afetam o sistema por não serem consideradas parte da estrutura. A língua constitui um sistema fechado em si mesmo e as suas relações com o mundo são, portanto, desprezadas.
Os estruturalistas propõem-se como objetivo estudar a estrutura do texto “nele mesmo e por ele mesmo” e restringem-se a uma abordagem imanente do texto, excluindo qualquer reflexão sobre sua exterioridade.
Na década de 50, surgem os trabalhos de Harris (Discourse Analysis, 1952), que mostram a possibilidade de ultrapassar as análises confinadas meramente à frase, ao estender procedimentos da lingüística distribucional americana aos enunciados (chamados discursos), e, de outro lado, os trabalhos de Roman Jakobson e E. Benveniste sobre a enunciação. Esses trabalhos já apontam a diferença de postura teórica de uma análise do discurso de linha mais americana de outra, mais européia.
Embora a obra de Harris possa ser considerada o marco inicial da análise do discurso, ela se coloca como simples extensão da lingüística por considerar frase e texto como elementos isomórficos, diferenciando-se apenas em grau de complexidade. A preocupação está centrada na organização dos elementos que constituem o texto e não com a instituição do sentido.
Em oposição a essa teoria, encontra-se a tendência européia, que leva em consideração as condições de produção e coloca a exterioridade como elemento fundamental da análise discursiva.
A partir de agora, os conceitos referentes à Análise do Discurso, aqui apresentados, serão aqueles da linha européia ou, especificamente, da francesa.
Para se chegar à Análise do Discurso, um grande passo foi o estudo das formações discursivas, cujo conceito, tomado da obra do filósofo Michel Foucault (1969) é o seguinte: um conjunto de regras anônimas, históricas, sempre determinadas no tempo e no espaço que definiram em uma época dada, e para uma área social, econômica, geográfica ou lingüística dada, as condições de exercício da função enunciativa.
O conceito de formação discursiva é utilizado pela Análise do Discurso para designar o lugar onde se articulam discurso e ideologia. Podemos dizer, então, que uma formação discursiva é governada por uma formação ideológica. Como uma formação ideológica coloca em relação mais de uma força ideológica, uma formação discursiva colocará em jogo mais de um discurso.
Na década de 60, vem à tona a obra de Mikhail Bakhtin, que, contrariando Saussure e os demais estruturalistas (que consideram a língua um sistema sincrônico homogêneo e rejeitam suas manifestações individuais - a fala) valoriza a fala, a enunciação, e afirma sua natureza social, não individual: a fala está indissoluvelmente ligada às condições da comunicação, que, por sua vez, estão sempre ligadas às estruturas sociais.
As estruturas sociais, convém ressaltar, são governadas por ideologias, que, segundo Althusser, manifestam-se nos ARE (aparelhos repressores do Estado) ou nos AIE (aparelhos ideológicos do Estado). As ideologias determinam as formações discursivas. Uma formação discursiva, segundo Mussalim, é marcada por regularidades, ou seja, por “regras de formação”, tidas como mecanismos de controle do que pertence e do que não pertence a uma formação discursiva. A FD, portanto, não é um espaço fechado, é sempre invadida por elementos que vêm de outro lugar, de outras FDs.
É isso que pretendemos mostrar nos dois textos que seguem:

Texto I
A RAPOSA E O CACHO DE UVAS
Uma raposa faminta, ao ver cachos de uva suspensos em uma parreira, quis pegá-los, mas não conseguiu. Então, afastou-se dela, dizendo: “Estão verdes.”
Assim também, alguns homens, não conseguindo realizar seus negócios por incapacidade, acusam as circunstâncias.
Esopo

Texto II
A RAPOSA E AS UVAS
De repente a raposa, esfomeada e gulosa, fome de quatro dias e gula de todos os tempos, saiu do areal do deserto e caiu na sombra deliciosa do parreiral que descia por um precipício a perder de vista. Olhou e viu, além de tudo, à altura de um salto, cachos de uvas maravilhosos, uvas grandes, tentadoras. Armou o salto, retesou o corpo, saltou, o focinho passou a um palmo das uvas. Caiu, tentou de novo, não conseguiu. Descansou, encolheu mais o corpo, deu tudo o que tinha, não conseguiu nem roçar as uvas gordas e redondas. Desistiu, dizendo entre dentes, com raiva: “Ah, também, não tem importância. Estão muito verdes.” E foi descendo, com cuidado, quando viu à sua frente uma pedra enorme. Com esforço empurrou a pedra até o local em que estavam os cachos de uva, trepou na pedra, perigosamente, pois o terreno era irregular e havia risco de despencar, esticou a pata e... Conseguiu! Com avidez colocou na boca quase o cacho inteiro. E cuspiu. Realmente as uvas estavam muito verdes!

MORAL: A FRUSTRAÇÃO É UMA FORMA DE JULGAMENTO TÃO BOA COMO QUALQUER OUTRA.
Millôr Fernandes

Estamos diante de dois textos: o primeiro, do século V a.C., e o segundo, de um autor contemporâneo. Ambos pertencem ao mesmo gênero discursivo, sendo que o segundo é uma releitura do primeiro. A interdiscursividade se evidencia: alguns elementos se mantêm; outros são acrescentados e outros, completamente distorcidos.
Citemos, antes, alguns aspectos que merecem uma atenção especial.
A fábula - gênero dos textos em questão - é uma narrativa de natureza simbólica, sobre animais, que alude a uma situação humana e tem por objetivo transmitir certa moralidade. A lição moral que se explicita na conclusão é, sem dúvida, a formação ideológica que motiva a formação discursiva. Revela preocupação com a manutenção da ordem estabelecida ao apresentar um modelo maniqueísta: o bem deve ser imitado, e o mal, rejeitado. A presença dos animais constitui elemento importante nas condições de produção, uma vez que, na época do surgimento das fábulas, por volta do século XVIII a. C., na Suméria, havia um convívio mais íntimo entre homens e animais. Acreditava-se que a assimilação da moral tornava-se mais fácil através das histórias em que os animais apresentavam características humanas. Assim, o entretenimento aparente camufla um ensinamento ou uma lição de moral.
Passemos à análise específica dos dois textos em questão.
Antes, porém, mais alguns conceitos merecem ser apresentados por constituírem embasamento ao que se afirma a respeito dos textos analisados.
Segundo Bakhtin, nenhum texto é monológico, ao contrário, a dialogia está presente e caracteriza qualquer discurso. Essa dialogia, ou seja, esse conflito de vozes, é o que se pode observar nos dois textos.
Outro conceito que merece ser apontado, aqui, é o de heterogeneidade mostrada, que, segundo Maingueneau, “incide sobre as manifestações explícitas, recuperáveis a partir de uma diversidade de fontes de enunciação.” O autor, citando Ducrot, distingue em uma enunciação, dois tipos de personagens, os enunciadores e os locutores, elementos importantes na análise que está sendo feita. “Por ‘locutor’ entende-se um ser que no enunciado é apresentado como seu responsável. (...) O ‘enunciador’ representa de certa forma, frente ao ‘locutor’ o que o personagem representa para o autor em uma ficção. Os ‘enunciadores’ são seres cujas vozes estão presentes na enunciação sem que lhes possa, entretanto, atribuir palavras precisas; efetivamente, eles não falam, mas a enunciação permite expressar seu ponto de vista.”
Quanto ao texto I, podemos dizer que sua formação discursiva é didático-pedagógica, pois o enunciado tem como principal objetivo educar, usando, para isso, uma forma de aparente distração (portanto, nova formação discursiva), ou seja, uma história de animais. O texto parte de uma formação discursiva fisiológica, digamos assim, pois a ação da personagem é motivada pela fome. Não conseguindo seu intento, desculpa-se, dizendo que as uvas estão verdes. O locutor do enunciado “Estão verdes” corresponde ao enunciador do texto, que pretende mostrar a reação daqueles que se frustram em alguma empreitada e, para disfarçar sua frustração, acusam as circunstâncias. O locutor assume as palavras, mas não o ponto de vista que elas assumem. O enunciador sujeito do discurso se assujeita a uma ideologia, a da formação de caráter, usando, para isso, a crítica à dissimulação da frustração. Na realidade, é o enunciador que “fala” pela voz do locutor.
O texto II parafraseia o texto I, mas ao contrário de tantos outros que mantiveram, praticamente, o mesmo tom, este distorce a moral clássica que conclui o primeiro.
Até certo ponto, o segundo texto mantém o sentido do texto original no que concerne à parte figurativa, ou seja, até o enunciado “Estão verdes”, apesar de acrescentar alguns elementos. Por exemplo, ao lado do que chamamos formação discursiva fisiológica (a fome da raposa), aparece uma formação discursiva comportamental: a gula da personagem, mais um dado para reforçar a conclusão. Ao contrário do primeiro texto, que apresenta apenas uma tentativa da personagem para atingir o seu objetivo, no texto II, aparece uma segunda tentativa, depois do fracasso da primeira. Só então o locutor emite o enunciado “Ah, também não tem importância. Estão muito verdes.” (É bom ressaltar que esse enunciado é precedido de expressões do enunciador “entre dentes, com raiva”, que evidenciam as condições de produção do enunciado, o que não aparece no texto original.
A partir daí, novos enunciados se apresentam em vista de uma condição de produção fortuita (a vista de uma enorme pedra). Reanimada, a raposa - o locutor - tenta novamente atingir seu objetivo, ignorando o que havia afirmado anteriormente, premida pelas circunstâncias. Isso comprova que o enunciado da personagem diferia , realmente, da enunciação aparente. A moral clássica (crítica à falta de humildade para aceitar as limitações e à transferência do fracasso para as circunstâncias) fica comprovada, mas o enunciador não pára aí: o locutor, ou seja, a raposa, consegue, com muito esforço, o que pretendia - apanhar as uvas - mas, ao contrário do que desejava, as uvas estavam realmente verdes. Nesse ponto, o texto II amplia, alarga os horizontes do texto com o qual vinha dialogando e determina uma outra “moral”, cujo sentido vai de encontro a toda moral comum às fábulas. Aqui não há intenção pedagógica, de se ensinar alguma coisa, segundo a tradição de oposição entre o bem e o mal. Os elementos acrescidos à narrativa levaram a uma nova conclusão, que mostra a coincidência entre o enunciado do locutor “Estão muito verdes” e o enunciado do enunciador “Realmente as uvas estavam muito verdes!”
A continuação da fábula imprime ao texto, portanto, uma nova ideologia, que, fugindo do caráter didático-pedagógico, parte para o lúdico, em busca do humor.
Como diz o próprio Millôr Fernandes: Fazer humor “É adotar uma forma completamente desinibida e descondicionada de ver as coisas.”

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

And all I need now is Intellectual Intercourse!


"Depois de um longo período de abandono ao blog devido a turbulências pseudo-profissionais, dou início a um novo ano acadêmico e, dessa vez, mais disposta do que nunca a me entregar à minha paixão: a Lingüística! Deixei alguns textos inacabados referentes à sociolingüística e não foi por acaso. Além de não ser o segmento que mais me motiva, os textos eram meros resumos e estavam um tanto mal feitos. Useless, I guess.

Enfim, começamos o ano de 2009 com dois fatos históricos, um político e o outro lingüístico. Barack Obama assumiu seu posto e desde então já mostrou que vai ser, ao menos, um líder diferente (tenho a intenção de analisar o discurso feito por ele em sua Presidential Inauguration ao longo do ano, bem como escrever sobre essa idéia de "um negro 'educado' " - explorando um "cadinho" de sociolingüística, Labov e Black English). Com certeza um fato marcante na história norte-americana. - Yes, we can! :)
O segundo acontecimento que abriu 2009, será inesquecível aos lusófonos. Após 38 anos, estamos passando por uma nova Reforma Ortográfica que anda causando muita divergência nos países de Língua Portuguesa e, mais especificamente, em escolas, escritórios, editoras, na impressa etc. Pretendo também discutir essa questão aqui e comentar reformas feitas ao longo da história e em diversas línguas.

Por falar em escritórios, estou vivenciando um novo mundo profissional e uma nova profissão. Estou trabalhando como tradutora e, pasme, de textos e publicações 100% financeiras! Nunca me imaginei nessa situação (como tradutora sim, mas "de termos financeiros" não!), mas posso dizer que em 67 dias aprendi MUITO! E a cada dia que passa, aprendo muito mais! Tenho muitas coisas para discutir aqui sobre a profissão de tradutor, as habilidades linguísticas necessárias para a tradução, a "linguagem matemática traduzida em palavras", as nuances entre dois termos, a "interferência" do estilo na tradução, técnicas de tradução, termos peculiares etc. Ou seja, como profissional do texto (rs), pretendo escrever sobre tudo aquilo que me agrada, me limita, me atrapalha, me deixa nervosaaaa nessa profissão.

Least, but not last, esse é meu último ano na faculdade! É, foi muito bom, vou sentir saudades, alguns professores são inesquecíveis, adoro meus colegas de sala, e blá blá blá. Mas, deixando o lado sentimental de lado e pensando como uma capricorniana racional, é o ano de fazer o TCC. Confesso estar um pouco ansiosa porque não tenho o tema definido ainda e corro o risco de não ter como orientadora a professora que esperava ser. Porém, tenho algumas idéias. Aliás, idéias andam borbulhando na minha cabeça, mas não sei ainda como desenvolvê-las e se tenho tempo suficiente para isso. Enfim, discutirei aqui também os "possíveis TCCs" e deixarei que vocês participem do andamento do meu - quando ele for definido!

Outra coisa que decidi fazer é voltar a estudar alemão. Logo logo as aulas começam e farei questão de registras minhas REimpressões dessa língua maravilhosa e complicadinha!
Para finalizar, como se não bastasse, meu grupo ainda está finalizando a confecção do glossário. Por minha culpa, é um glossário "freudiano", então imaginem o trabalho que está dando!!! O problema já começa na tradução feita dos termos do alemão para o Inglês, então do Inglês para o Português é ainda mais complicado. Mas em breve, comentarei essa "aventura" também.

Bom, por enquanto, é isso!
Como dicas de fim de férias, sugiro:
* o livro "Made in America" de Bill Bryson - leitura leve e fundamentalizada na história americana e na língua 'inglesiCana"
* o livro "O filme que Sausurre não viu" de Irene Machado - mostra a inovação do pensamento semiótico de Roman Jackobson, unindo a lingüística à poética
* a música "Fluorescent Adolescent" do Arctic Monkeys e "All I really want" da canadense Alanis Morissette (cujo trecho dá nome a esse post) - para desafiar sua habilidade verbal da Língua Inglesa ao tentar acompanhar essas músicas

Later, alligators!

Carmen L. Reis







domingo, 16 de novembro de 2008

Línguas em contato



Resumo do segundo capítulo do livro SOCIOLINGÜÍSTICA: uma introdução crítica, de Louis-Jean Calvet

LÍNGUAS EM CONTATO
O autor começa seu capítulo mencionando que todos os países são plurilíngües e isso faz com que todas as línguas estejam em constante contato, seja por meio do indivíduo (bilíngüe ou em processo de aquisição) ou pela comunidade.
Desse contato entre as línguas, surgem duas questões importantes: os empréstimos e as interferências, sendo que essas podem ser fonológicas, morfológicas ou sintáticas.

Segundo Uriel Weinrich, as línguas estariam em contato quando utilizadas alternadamente pela mesma pessoa (sujeito bilíngüe). Tratando-se da interferência fonológica, seria esse contato que criaria confusões entre certas palavras (como a diferenciação de sheep e ship nos ouvidos brasileiros) e diferentes sotaques. No campo lexical, bons exemplos de interferência seriam os falsos cognatos (por exemplo, for instance), as traduções literais (estar direito, to be right) ou criações numa língua calcadas no modelo de outra. A interferência lexical pode produzir o empréstimo principalmente por não conseguirmos encontrar equivalentes em nosso próprio idioma. Ao contrário da interferência, que é individual, o empréstimo é um fato coletivo. Todas as línguas recebem empréstimos de outras, mas quando essa situação é exacerbada, acaba gerando aversão às palavras estrangeiras (como foi o caso dos franceses que desenvolveram uma luta contra os empréstimos).

O plurilingüismo também incentiva o problema que uma pessoa tem quando viaja ou muda-se a trabalho para um país do qual não fala a língua e não é compreendido pela sua língua-mãe. Nesse caso, o indivíduo tem que se comunicar por meio de uma língua veicular, uma terceira língua que tanto ele quanto a comunidade na qual está inserido conheçam (e.g.: um brasileiro que se muda para a Holanda e usa o Inglês como sua língua veicular). Se não há uma terceira língua em comum e há a necessidade de comunicação, eles inventam uma língua mista (como a língua franca utilizada no séc. XIX nos portos do mar Mediterrâneo). Essas formas, quando muito simples e apenas com o objetivo de comunicações comerciais, são conhecidas como sabirs, que quando mais amplas e desenvolvidas passam a ser chamadas de pidgins.

Há também outra situação, quando o indivíduo conhece dois idiomas e os mistura em seu enunciado, tornando-os “bilíngües”. Esse caso não se trata de interferência, mas sim de colagem, de mistura de línguas (code mixing – quando os idiomas são misturados numa mesma frase), de alternância de código (code switching – quando parte da conversa é em um idioma e a outra parte, em outro). Eu, Carmen, devo mencionar aqui a experiência desses dois eventos vividos enquanto morava em Cincinnati – OH – USA e tinha algumas amigas brasileiras. Tanto o code mixing quanto o code switching era muito comum quando conversávamos, principalmente na presença de americanos, sendo que também podem ser utilizados como estratégias conversacionais.

(Texto ainda não revisado e não terminado... break time! rs)

sábado, 20 de setembro de 2008

Let me count the ways...

Noite chuvosa de sábado... Vontade de postar, mas preguiça de estudar (só hoje, pelo menos!). Decidi fazer uma breve homenagem à autora de um dos meus poemas favoritos, Elizabeth Barrett Browning, poetisa inglesa da era vitoriana que viveu de 1806 a 1861. Filha de Mary Graham-Clarke e Edward Moulton Barrett, Elizabeth tinha outros onze irmãos e tinha descendência crioula, mais especificamente, Jamaicana. Ela recebeu educação escolar em sua casa, tendo como tutores primeiro o tutor de seu irmão e depois uma jovem senhora, porém no começo de sua adolescência, Mrs. Browning contraiu uma possível tuberculose e foi tida como inválida por sua família. Escreveu seu primeiro poema aos 6 anos e, aos 14, escreveu um longo poema titulado "The Battle of Marathon". Em 1826, escreveu uma coleção de poemas com o nome "An Essay on Mind and other poems"; além de fazer traduções do grego para o Inglês. Após criar várias obras, em 1845, Elizabeth conheceu seu marido, Robert Browning, por quem se apaixonou profundamente e com quem casou em segredo e teve um filho. A família mudou-se para Florença, aonde viveram até a morte de Elizabeth em 1961. Elizabeth foi a poeta (mulher) mais renomada no século XIX, tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos.
Enfim, deixo aqui o lindo poema que ela dedicou a seu esposo em nome de seu grande amor. Dedico-o a dois amigos meus que também adoram esse texto, Fabio Teixeira e Ana Carolina de Souza. Ao fim da descrição, deixo também a tradução feita por Manuel Bandeira e a tradução do Professor Almiro Pisetta, para que vocês possam compará-las e apreciar a riqueza da tradução literária.


How do I love thee? Let me count the ways...

I love thee to the depth and breadth and height

My soul can reach, when feeling out of sight

For the ends of Being and ideal Grace.

I love thee to the level of everyday's

Most quiet need, by sun and candle-light.

I love thee freely, as men strive for Right;

I love thee purely, as they turn from Praise.

I love thee with a passion put to use

In my old griefs, and with my childhood's faith.

I love thee with a love I seemed to lose

With my lost saints, --- I love thee with the breath,

Smiles, tears, of all my life! --- and, if God choose,

I shall but love thee better after death.

(Elizabeth Barrett Browning)


"Amo-te quanto em largo, alto e profundo/Minh'alma alcança quando, transportada,/Sente, alongando os olhos deste mundo,/Os fins do Ser, a Graça entressonhada./Amo-te em cada dia, hora e segundo:/A luz do sol, na noite sossegada./E é tão pura a paixão de que me inundo/Quanto o pudor dos que não pedem nada./Amo-te com o doer das velhas penas;/Com sorrisos, com lágrimas de prece,/E a fé da minha infância, ingênua e forte./Amo-te até nas coisas mais pequenas./Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,/Ainda mais te amarei depois da morte."
(tradução de Manuel Bandeira)

"Como eu te amo? Deixa-me dizer.
Te amo até onde em cima, em baixo, ao lado
Minha alma alcança quando o fim do Ser
Vai procurar no Belo Idealizado.
Eu te amo em cada humílimo cuidado
Do dia ou da noite no meu afazer.
Te amo pura - sem nada a ser louvado;
Te amo livre - sem direito em haver.
Te amo com o ardor que foi sentido
Em minha dor antiga e fé sem par;
Te amo com o amor que achei perdido
Com os santos meus. - Te amo ao respirar,
Chorar e rir. - E, se for permitido,
Melhor depois da morte vou te amar."
(tradução de Almiro Pisetta)

Por Carmen L. dos Reis

domingo, 14 de setembro de 2008

Sociolingüística Varacionista

Já sabemos que a Sociolingüística teve grande avanço nos anos 70 e que hoje em dia é um assunto em voga, tema para várias pesquisas correntes nas maiores universidades do país. Agora é importante saber que a Sociolingüística tem três áreas principais de estudo: a primeira associa fatores sociais à linguagem, assim como a decadência e a assimilação de línguas minoritárias, o bilingüismo e o planejamento lingüístico em nações emergentes - abordagem feita em "Sociologia da Linguagem"; a segunda trata de descrever e analisar os eventos de fala, levando em consideração a teoria da comunicação de William Bright (o falante, a relação dele com o interlocutor e o contexto envolvido), a qual diz respeito à Sociolingüística Interacional; e a terceira, foco de nossos estudos nesse semestre - a chamada Sociolingüística Variacional - é enfocada principalmente por Labov.
Para a Sociolingüística Variacional, a relação entre sociedade e língua, ou seja, o exame da linguagem no contexto social, é indispensável, pois a linguagem é vista como um fenômeno social. Seguindo essa abordagem, vemos que duas pessoas falantes da mesma língua ou variedade dialetal não se expressam do mesmo modo, e ainda podemos ir mais além: um único falante raramente se expressa da mesma forma em duas diferentes situações de comunicação. Por que chegamos à essa conclusão? Porque cada indivíduo faz parte de uma natureza "fisiotropicasocial" e, ao desenvolver suas habilidades lingüísticas, este indivíduo consegue adequar sua produção ao contexto apresentado.

Para que isso seja mais fácil de ser compreendido, vejamos primeiro o que são variantes
e variáveis. Variáveis são alternâncias entre duas formas pré-existentes, em nível fonético-fonológico, morfo-sintático ou semântico-lexical. Por exemplo, as diversas pronúncias do fonema /r/ em diversas partes do país. Por exemplo, temos o R retroflexo - conhecido pejorativamente como o R caipira de "poRRRta"; o R [h] fricativa glotal - o famoso R carioca que também pode ser encontrado no litoral brasileiro em geral; e, finalmente, o [r] vibrante alveolar, usado na região metropolitana de São Paulo. As variáveis podem ter tanto naturezas lingüísticas quanto naturezas extralingüísticas, e o grupo dessas variáveis é que forma uma variante. Essa variante pode ser que, com o passar do tempo, se torne uma mudança ou não, mas todas as mudanças são fruto de uma variante existente por um longo período de tempo. É importante notar também que as variantes não possuem função informativa, ou seja, não alteram o valor semântico da sentença.

Quando falo em natureza "fisiotropicasocial", levo em consideração os tipos de variantes existentes: as diatrópicas (ou geográficas), as diastráticas (ou sócio-culturais) e as estilísticas (e/ou de registro). As variantes sociais dividem-se ainda em duas outras categorias: as socioeconômicas (nível de renda familiar, grau de escolaridade, etc.) e
as sociobiológicas (idade, sexo, ocupação profissional, etc.). Encontramos também as linguagens especiais, que são formadas pelos jargãos, gírias e neologismos.
Um mesmo indivíduo pode e deve alternar entre diferentes formas lingüísticas de acordo com a variação das circunstâncias que cercam a interação verbal, ou seja, quanto menos coloquiais as circunstâncias, maior a preocupação formal. Esse é o segredo para um bom desenvolvimento sociolingüístico: adequar o seu discurso de acordo com as necessidades do meio; e é o que deveria ser ensinado e/ou reforçado no ensino escolar.

O objetivo principal da Sociolingüística é provar que as variações apresentam uma regularidade, ou seja, as variações são sistemáticas! Elas não são "criadas" aleatoriamente e não fazem parte de um agrupado caótico, mas sim uma "variação sistemática da linguagem normativa". A Sociolingüística Variacional concebe a língua como um sistema heterogêneo cuja variação estrutural está relacionada às alterações dos padrões culturais e ideológicos da comunidade de fala, ou seja, as variações deveriam ter o mesmo valor da língua normativa. Infelizmente, porém, não é isso que vemos até hoje, em pleno século XXI. A língua ainda é tida como recurso de exclusão das camadas marginalizadas e, ao invés de diminuir as exclusões sociais, serve para reforçá-la, separando a sociedade em extratos prestigiados e estigmatizados.
- Texto reflexivo baseado no primeiro tópico do capítulo entitulado "Sociolingüística - parte II" escrito por Roberto G. Camacho no livro Introdução à Lingüística: domínios e fronteiras v.1 (ed. Cortez, 2001) -

Carmen L. dos Reis
(revisão de Fabio Teixeira)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sociolingüística - uma abordagem diacrônica

Começo a dar uma pequena contribuição à Lingüística fazendo um resumo do primeiro capítulo do livro "Sociolingüística – uma introdução crítica", de Louis-Jean Calvet, o qual foi pedido como leitura para a próxima aula, visto que nesse semestre estamos estudando sociolingüística. Por se tratar do histórico desse ramo da Lingüística, o autor inicia o capítulo citando Antoine Meillet (1866-1936), lingüista francês que foi aluno de Saussure no Curso de Lingüística Geral, como precursor da Sociolingüística. Embora tenha recebido os conhecimentos do grande mestre, Meillet se opôs a eles, de forma que usou a mesma fórmula, porém com uma perspectiva completamente diferente. Enquanto Saussure deixa de lado a parte social da língua, o francês, ao lado de Émile Durkheim, diz que a língua é ao mesmo tempo um fato social e um sistema que tudo contém; associa a abordagem externa com a interna e busca explicar a estrutura pela história. Nessa mesma época, surgia a abordagem social da corrente marxista exposta por Paul Lafargue, que publicou um estudo sobre o vocabulário Francês antes e depois da Revolução, mostrando as mudanças da língua correlatas aos fatos políticos. Posteriormente, na URSS, surge Nicolai Marr, que postulava uma origem comum para todas as línguas e acreditava que o socialismo deveria provocar o surgimento de uma única língua - o esperanto. (Escreverei uma postagem sobre ele para explicar melhor as suas idéias). Após o 15º aniversário de morte de Marr (mais precisamente em Maio de 1950), Stálin e seu poder político põem fim à "nova teoria lingüística" de Nicolai, concluindo que a língua não é uma superestrutura e não tem caráter de classe. Entre os jovens que faziam parte do grupo contra as teorias de Marr, encontra-se Mikhail Bakhtin, de maior destaque até os dias de hoje, acompanhado de Volochinov (cuja existência e produção acadêmica são duvidosas), Medvedev e Jackobson. Na sociolingüística moderna, Basil Bernstein é o pioneiro do ciclo que os lingüistas ingleses dominariam mais tarde. Bernstein é o primeiro a considerar as produções lingüísticas reais, a situação sociológica dos falantes e constatou, em partes, que as crianças da classe operária têm um desenvolvimento escolar inferior em relação às crianças abastadas, analisando suas produções lingüísticas e definindo dois códigos: o restrito e o elaborado. Em maio de 1964, William Bright reúne 25 pesquisadores por 3 dias em uma conferência sobre a sociolingüística em Los angeles e faz desse encontro o marco da sociolingüística como a conhecemos hoje em dia. Entre os palestrantes, estavam grandes nomes como Labov, Ferguson, Hymes e Kelley. Na publicação dos trabalhos apresentados, Bright define três fatores que condicionam a diversidade lingüística: a identidade social do falante, a do destinatário e o contexto envolvido. Mesmo trazendo grande avanço à sociolingüística, William ainda não consegue dar independência à sociolingüística; o que só acontece com William Labov, criador da corrente chamada "lingüística variacionista" a partir de suas análises do BEV (Black English Vernacular). Como conclusão, os anos 70 serviram para dar uma virada na sociolingüística e difundir grandes pesquisadores dela.

Carmen L. dos Reis
(revisão de Ana C. de Souza)


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Lingüisticamente, entrego-me!


"Depois de quase um ano, decidi de fato começar a escrever nesse blog, primeiro porque estou recebendo várias visitas e gostaria de prestigiá-las melhor; segundo, porque tenho que começar a não só receber informações, mas também a elaborar reflexões e treinar as minhas habilidades argumentativas. Quando criei esse blog, tinha a intenção de "arquivar" em forma de trechos tudo aquilo que eu lia sobre a minha então recente paixão descoberta - a Lingüística. Assim como qualquer outra paixão, a gente não sabe como começou, por que aconteceu e por que cresce a cada dia que passa. Uma coisa é fato: sempre tive curiosidade de estudar Lingüística, e quando tive as primeiras aulas sobre Saussure, tive certeza que essa seria a minha área de especialização. Hoje, já no sexto semestre da faculdade, muitas aulas maravilhosas da Vivi já passaram, muita informação já foi recebida, muitos nomes já foram estudados... Estruturalistas, gerativistas, interacionistas, etc. Agora o fim do curso está, de certa forma, próximo e é hora de tomar a grande decisão - o que fazer depois da faculdade?!? Como já mencionei, desde o início tive certeza de que a Lingüística já estava em mim e que me faria companhia a partir de então, mas a pergunta que ainda não tem uma resposta precisa é: Em que me especializar? Também sempre me interessei em Psicologia, então quando estudei Psicolingüística tive grande interesse em Aquisição da Linguagem; logo, provavelmente essa será minha escolha. Só preciso definir exatamente o que pesquisar. A universidade também já está pré-estabelecida. Longas conversas com a minha querida "Saussure" despertaram-me o interesse de tentar entrar na Unicamp. É evidente que a USP e a Unesp também não seriam hipóteses descartadas. Enfim, o objetivo já foi traçado e agora é só moldá-lo e correr atrás. O sonho é grande, mas o esforço em alcançá-lo é tão grande quanto. Agradeço a quem estiver na torcida!"

Carmen L. dos Reis
(revisado por Fábio Teixeira)

domingo, 31 de agosto de 2008

Preconceito e Intolerância na Linguagem

"Tomar consciência de como o preconceito e a intolerância lingüísticos se manifestam é o primeiro passo que pode dar alguém que os quer combater. Assim farão os professores quando entenderem que os alunos não devem ser julgados pela linguagem que usam, mas pelo que efetivamente são, porque aprender outros modos de falar é só mais uma etapa na vida de alguém que é íntegro como é, com a linguagem que domina, seja essa pessoa de que estrato social for."
(Marli Quadros Leite em Preconceito e intolerância na linguagem)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O signo ideológico


"Tudo que é ideológico é expresso por um material semiótico e, inversamente, tudo que é expresso ou capaz de ser expresso, possui um valor ideológico. Os utensílios e os objetos materiais estão dispostos entre os fenômenos ideológicos (como palavra, texto, discurso) de acordo com o critério de sua realização material. O signo ideológico encontra uma manifestação natural na entoação como expressão de valor ou de atitude ideológica."
(Bakhtin e Volochinov)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

SPAN / GLISH


Anita: «Hola, good morning, cómo estás?»
Mark: «Well, y tú?»
Anita: «Todo bien. Pero tuve problemas parqueando mi carro this morning.»
Mark: «Sí, I know. Siempre hay problemas parqueando in el área at this time».

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

How creative can we be?!?



(Avram Noam Chomsky)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Imersão na Sociolingüística

(...) Uma língua não pára nunca. Evolui sempre, isto é, muda sempre. Há certos gramáticos que querem fazer a língua parar num certo ponto, e acham que é erro dizermos de modo diferente do que diziam os clássicos.
- Quem vem a ser os clássicos? - perguntou a menina (Narizinho).
- Os entendidos chamam clássicos aos escritores amigos, como o padre Antônio Vieira, Frei Luís de Sousa, o padre Manuel Bernardes e outros. Para os carranças, quem não escreve como eles está errado. Mas isso é curteza de vistas. Esses homens foram bons escritores no seu tempo. Se aparecessem agora seriam os primeiros a mudar, ou a adotar a língua de hoje, para serem entendidos.

(extraído do livro "Emília no País da Gramática", de Monteiro Lobato)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

E C O L E T O S

"É o feRvo."
"Eu MUITO que vou lá."
"Só por Jeová."
"Surreal!"
"E---RROoooo."
"Abooooo."

Pragmatismo e Semiótica


"All the evolution we know of proceeds from the vague to the definite."

Charles Sanders Peirce (1839-1914)



domingo, 4 de novembro de 2007

WILLIAM LABOV - BE (Black English)


A LINGUAGEM COMO CONSTRUÇÃO DA INTELIGÊNCIA - Jean Piaget

AS PALAVRAS SOB PALAVRAS, de Saussure


"A aliteração não é um ato ocasional na poesia, nem as leis fônicas são arbitrárias na tradição da poesia indo-européia"

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

DONALD KNUTH & "The complexity of Songs"

POESIA ESCATOLÓGICA: a estética do feio

"Ninguém cabe neste coração sujo
Neste pântano de peixes disformes
Na alcova de putas tortas

Este coração/lacrado/tem seus caprichos
E só desfigura as loucuras que o excitam
Só vomita nos pés que o pisam

Ele tira nacos de empáfia
Pelos olhos que perfura
E arranca os membros e a língua que o fuzilam

Ele quebra os dedos leves que o afagam
E/também/escarra na vil boca que o beija
E espanca – até a morte – vãs palavras de carinho [...]"

(Dia dos Namorados, de Donny Correia)


APPLIED LINGUISTICS: transferência x interferência x interlíngua x fossialização


STEPHEN KRASHEN - separador de águas

"Acquisition requires meaningful interaction in the target language - natural communication - in which speakers are concerned not with the form of their utterances but with the messages they are conveying and understanding."


segunda-feira, 15 de outubro de 2007

SYNTAX LUNACY




INSIDE THE MIND OF A SAVANT

Christopher - indivíduo com uma capacidade acima do normal para a aquisição de línguas a partir de pouca exposição à elas, e que, além de sérios comprometimentos na cognição não lingüística, tem dificuldade de interagir socialmente e de usar a língua de forma pragmaticamente adequada.
Smith & Tsimpli (1995)

P.A.L.Í.N.D.R.O.M.O.S


quinta-feira, 11 de outubro de 2007

BROCA´s AREA - a key to neurolinguistics




quarta-feira, 10 de outubro de 2007

WHAT IS DISCOURSE ANALYSIS?

'I only said "if"!' poor Alice pleaded in a piteous tone.
The two Queens looked at each other, and the Red Queen remarked, with a little shudder, 'She says she only said "if"-'
'But she said a great deal more than that!" the White Queen moaned, wringing her hands. 'Oh, ever so much more than that!'
(Lewis Caroll: Through the Looking Glass)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

ESTILÍSTICA - mais uma descoberta indireta de Ferdinand de Saussure

"E com um sorriso único, reflexo de alma satisfeita, alguma coisa que traduzia a delícia íntima das sensações supremas, Fortunato cortou a terceira pata do rato, e fez pela terceira vez o mesmo movimento até a chama. O miserável estorcia-se, guinchando, ensangüentado, chamuscado, e não acabava de morrer."
(A causa secreta, de Machado de Assis)

LING. ANTROPOLÓGICA: Claude Lévi-Strauss e seus índios Kadiwéus e Bororos


Os chistes do Freud de Vivi Veras...

O máximo de sentido para o mínimo de suporte: "Freud tentou, de início, compreender o chiste, como outros haviam tentado, mas se descobriu compreendido no próprio mecanismo do chiste, que exige o riso" - Viviane Veras

domingo, 7 de outubro de 2007

"A lei do homem é a lei da linguagem. A lei e o desejo recalcado são uma só e mesma coisa."

"O inconsciente é essa parte do discurso concreto, enquanto transindividual, que o sujeito não tem à sua disposição para restabelecer a continuidade do seu discurso consciente".

Jacques Lacan (1901-1981)

Linguistics & Poetry: a dichotomy...

"cheiro velho cheiro de coisas velhas velhagem velharia revelha velhos da velha esse bolor esses lenços de linho gasto esse olor de alfazema e papel fanado pergaminhado plissado gatos se espreguiçam nas ruínas romanas gatos sem cor alimentados por mãos de velhas no sol do ferragosto as mãos carquilham como cera ao sol e velhas de chapéus obscenos varando o patio de los leones fotografam-se contra a pedra lemonada uma algazarra de gárgulas cacarejando oh it´s funny it´s really beautiful ou schön schön sehr schön wunderbar metade do rosto liso e belo"
(trecho de GALÁXIAS - de Haroldo de Campos)

ANÁLISE DO DISCURSO DO NÃO-VERBAL

Policromia, efeito metafórico, operador discursivo, o implícito e o silêncio (SIM, o SILÊNCIO!)

Language Acquisition: NATURE X NURTURE or NATURE & NURTURE


How much and how does "motherese" (the language used by the mother to talk to the baby) influence Language Acquisiton according to the Social Interactionists? - a theory that goes against Chomsky´s inativism.




terça-feira, 2 de outubro de 2007

SOCIOLINGUISTICS - o paradoxo de Saussure


"You say /eether/ and I say /iether/,
You say /neether/ and I say /niether/
/Eether/, /iether/ /Neether/, /niether/,
Let's call the whole thing off..."

"A word devoid of thought is a dead thing, and a thought unembodied in words remains a shadow."


Lev Semenovich Vygotsky (1896-1934)

"Bringing together heart and mind..."


"They have focused so intently on the cognitive and have limited themselves so completely to 'educating from the neck up', that this narrowness is resulting in serious social consequences" (Rogers,1975)

Psychology + Linguistics = Psycholinguistics (What´s not to luv?!?)




domingo, 30 de setembro de 2007

KURIOSAJO - Kio esti Esperanto?


sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Vocês não ouvem os assustadores gritos ao nosso redor que habitualmente chamamos de silêncio? - "O Enigma de Kasper Hauser"


Uma perspectiva semiótica...rs


"A linguistic system is a series of differences of sound combined with a series of differences of ideas."




That was the very first thing I heard about linguistics and since then...


Seis ou Treze Coisas que Aprendi Sozinho
(Manuel de Barros)
Gravata de urubu não tem cor./Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce./Luar em cima de casa exorta cachorro./Em perna de mosca salobra as águas se cristalizam./Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes./Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina./No osso da fala dos loucos têm lírios./Tem 4 teorias de árvore que eu conheço./Primeira: que arbusto de monturo agüenta mais formiga./Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes./Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros./Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes./Uma chuva é íntima se o homem a vê de uma parede umedecida de moscas;/Se aparecem besouros nas folhagens/Se as lagartixas se fixam nos espelhos;/Se as cigarras se perdem de amor pelas árvores;/E o escuro se umedeça em nosso corpo./Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão/a lesma deixa risquinhos líquidos.../A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre as palavras/Neste coito com letras!/Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-se/Na avidez de deserto que é a vida/de uma pedra a lesma escorre. . ./Ela fode a pedra./Ela precisa desse deserto para viver./Que a palavra parede não seja símbolo de obstáculos à liberdade/nem de desejos reprimidos/nem de proibições na infância,etc./(essas coisas que acham osreveladores de arcanos mentais)/Não./Parede que me seduz é de tijolo,/ adobepreposto ao abdomen de uma casa./Eu tenho um gosto rasteiro de ir por reentrâncias/baixar em rachaduras de paredespor frinchas, por gretas - com lascívia de hera./Sobre o tijolo ser um lábio cego./Tal um verme que iluminasse./Seu França não presta pra nada -Só pra tocar violão./De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é./Não presta pra nada./Mesmo que dizer:- Povo que gosta de resto de sopa é mosca./Disse que precisa de não ser ninguém toda vida./De ser o nada desenvolvido./E disse que o artista tem origem nesse ato suicida./Lugar em que há decadência./Em que as casas começam a morrer e são habitadas por morcegos./Em que os capins lhes entram, aos homens, casas portas a dentro./Em que os capins lhes subam pernas acima, seres adentro./Luares encontrarão só pedras, mendigos, cachorros./Terrenos sitiados pelo abandono, apropriados à indigência./Onde os homens terão a força da indigência./E as ruínas darão frutos.